Jornal de Estudo

Monday, May 21, 2007

DOBRAS E FALHAS

As rochas, quando submetidas a condições de temperatura e de pressão diferentes das que presidiram à sua génese, podem sofrer deformação e metamorfismo.
Tensão é a força exercida por unidade de área. Em resposta a um estado de tensão as rochas deformam-se, fracturando-se ou dobrando-se.
Os materiais podem apresentar diferentes tipos de deformações como resposta às tensões a que são sujeitos.
Deformação elástica é uma deformação reversível e proporcional ao esforço aplicado. O campo de deformação elástica das rochas, é limitado e, quando ultrapassado o limite de elasticidade, as rochas manifestam um comportamento plástico ou entram em rotura.
Acima do limite de elasticidade, o material fica deformado permanentemente sem rotura se não for ultrapassado o limite de plasticidade. São exemplos de deformações contínuas, as dobras.
Deformação por rotura ocorre quando é ultrapassado o limite de plasticidade, a rocha entra em fractura. São exemplos de deformações descontínuas, as falhas.
O comportamento das rochas durante os processos de deformação permite classificá-las em rochas de comportamento frágil ou rígido e em rochas de comportamento dúctil. O comportamento frágil ou dúctil de uma determinada rocha depende das condições ambientais, nomeadamente das condições de pressão, de temperatura, presença de fluidos intersticiais, nomeadamente água que variam com a profundidade. A temperatura aumenta com a profundidade e aumenta a plasticidade das rochas. De um modo geral a presença de água faz aumentar a plasticidade das rochas. Quanto mais tempo actuarem as forças, geralmente faz com que sejam mais plásticas e por isso a rotura ocorre com mais dificuldade.
A composição e estrutura das rochas pode fazer aumentar a plasticidade como é o caso da xistosidade evidenciada por algumas rochas metamórficas. A tensão litostática resulta do peso das camadas suprajacentes e geralmente aumenta a plasticidade da rocha. A tensão dirigida ocorre quando a rocha está sujeita a forças de intensidade nas diversas direcções.
As rochas com comportamento frágil, quando sujeitas a estados de tensão, em condições de baixa temperatura e de baixa pressão, fracturam. Este tipo de deformação diz-se frágil. As rochas com comportamento dúctil, quando sujeitas a estados de tensão, em condições de elevada temperatura e pressão, sofrem deformação de forma ou de volume, sem sofrerem fractura.
Na zona de fronteira entre placas litosféricas, o estado de tensão e o tipo de deformação associados dependem da natureza dos limites tectónicos.
No limite convergente, o estado de tensão é compressivo, se o comportamento do material é frágil origina uma falha de compressão e se o material é dúctil origina uma dobra.
No limite divergente, o estado de tensão é distensivo, se o comportamento do material é frágil origina uma falha de distensão e se o material é dúctil origina um estiramento.
No limite transformante, o estado de tensão é cisalhante, se o comportamento do material é frágil origina uma falha e se o material é dúctil origina um cisalhamento.

DOBRAS
Uma dobra consiste no encurvamento de uma superfície originalmente plana. São elementos caracterizadores da geometria de uma dobra:
A charneira é uma linha que une pontos de máxima curvatura de uma dobra.
Os flancos são as partes da dobra de um e de outro lado da charneira.
A superfície ou plano axial é o plano da simetria da dobra que a divide em duas partes (flancos) aproximadamente iguais.
O eixo da dobra é uma linha imaginária que separa flancos da dobra, que resulta da intersecção longitudinal do plano axial com a crista da dobra.
A disposição espacial das dobras permite classificá-las em antiforma, quando a concavidade está voltada para baixo, sinforma, quando a concavidade está voltada para cima e dobra neutra quando a concavidade está disposta lateralmente.
As dobras também podem ser classificadas com a idade das rochas que a constituem. Sempre que o núcleo de uma sinforma é ocupado pelas rochas mais recentes, a dobra é um sinclinal, sempre que o núcleo de uma antiforma é ocupado pelas rochas mais antigas é um anticlinal.
Os movimentos tectónicos e a erosão são os processos responsáveis pela exposição de rochas dobradas na superfície terrestre.

Falhas
Uma falha é uma superfície de fractura, ao longo da qual ocorreu um movimento relativo entre os dois blocos que separa.
São elementos caracterizadores de uma falha:
O plano de falha é a superfície de fractura. Define-se pela direcção que é a orientação da linha de intersecção do plano de falha com um plano horizontal e pela inclinação que é o ângulo definido entre o plano de falha e uma superfície horizontal.
O rejeito ou rejecto é o movimento relativo entre os dois blocos da falha.
O tecto é o bloco situado acima do plano de falha.
O muro é o bloco situado abaixo do plano de falha.
Existem três tipos de falhas:
A falha normal- O tecto desce relativamente ao muro. Forma-se em regime de deformação distensivo, em zonas de separação de placas tectónicas.
A falha inversa- o tecto sobe relativamente ao muro. Forma-se em regime de deformação compressivo, em zona de colisão de placas tectónicas.
Falha de desligamento- Os movimentos de blocos são essencialmente horizontais e paralelos à direcção do plano de falha. Forma-se geralmente em regime de deformação de cisalhamento.

1 Comments:

At 11:06 AM, Anonymous Ana said...

Obrigado, ajudou muito! :)

 

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